Uma das boas coisas da infância era a mentira e sua absolvição Podíamos falar o que quiséssemos, desde que nossos dedos estivessem cruzados nas costas. Mas, como há sempre algum esperto, a coisa se expandiu, daí, braços cruzados também valiam para darem testemunho da mentira. E pernas.. e.. a lingua ! O que nos deixava, às vezes, em atitudes ímpares, de braços e pernas afastados, dedos das mãos e dos pés estirados, lingua pra fora. Assim, não estávamos mentindo. Nada de jurar, pois jurar era pecado. Essa era a regra: palavra de honra, sem dedos cruzados, não precisa jurar.
Mas, ainda , apesar do código de honra, alguém podia dizer ao ser pego na mentira:
- Meu cabelo estava todo emaranhado!
Daí era absolvido. Pois, mentir não era problema, permitia-se, desde que de dedos cruzados.
A prática é genial. Admitimos a condição humana de sonhadores, de carentes, necessitados de aplauso, de contadores de caso. Sim, mentir é possível desde que saibamos que estamos mentindo. E se a coisa for séria , abrir dedos, pernas, braços e mostrar a língua.
Imagino que em tempos de eleição devíamos exigir isso dos candidatos e dos políticos em seus cargos. A cada estatística, a cada afirmação, mostrar as mãos e estirar a lingua. E acaso seja mentira, forca na canditadura!
Ou então se não quiser, entre de "altas". Estire os dedos e diga: estou de altas, e se exima do castigo, do jogo e da brincadeira. Mas, mentir, só dedos cruzados.
Texto: Angela
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